sábado, 2 de maio de 2015

Pierre Bourdieu

Principais Obras

“O poder Simbólico”;
“As Regras da Arte”;
“O Ofício do Sociólogo”;
“A Distinção: crítica social do julgamento”;

Teorias de Pierre

Foi um pensador que se dedicou a assuntos bastante diferentes – segundo ele, apenas em aparência – como a escola, as artes, a religião, a mídia, a moda, o gosto. Suas teorias e conceitos certamente podem contribuir para o entendimento da fundamental relação da instituição de ensino de arte com a sociedade, e das relações de poder e de dominação que estão presentes, configurando uma maneira interessante e produtiva de interpretar as fontes de pesquisa. Para construir sua teoria, Bourdieu criou uma série de conceitos, como habitus e capital cultural. Todos partem de uma tentativa de superação da dicotomia entre subjetivismo e objetivismo. “Ele acreditava que qualquer uma dessas tendências, tomada isoladamente, conduz a uma interpretação restrita ou mesmo equivocada da realidade social”, explica Nogueira. A noção de habitus procura evitar esse risco. Ela se refere à incorporação de uma determinada estrutura social pelos indivíduos, influindo em seu modo de sentir, pensar e agir, de tal forma que se inclinam a confirmá-la e reproduzi-la, mesmo que nem sempre de modo consciente.

Elementos da prática:
   
    A prática tem três elementos:
O campo,
O capital
O habitus.

Habitus

O conceito de habitus discorre sobre a capacidade dos sentimentos, dos pensamentos e das ações dos indivíduos de incorporar determinada estrutura social.

O Campo

O campo equivale ao contexto onde acontece a prática. Ele tende à reprodução, mas também permite a possibilidade de ruptura, ou de transformação do campo, ele dependeria de uma relação entre a heterodoxia e os leigos.

O Capital

Representa o acúmulo de forças que o indivíduo pode alcançar no campo. Pierre Bourdieu é o autor dos subconceitos de capital social, capital cultural, capital econômico e capital simbólico.

Concepção da Escola para Bordieu
Para Bourdieu, a escola é um espaço de reprodução de estruturas sociais e de transferência de capitais de uma geração para outra. É nela que o legado econômico da família transforma-se em capital cultural. E este, segundo o sociólogo, está diretamente relacionado ao desempenho dos alunos na sala de aula. Eles tendem a ser julgados pela quantidade e pela qualidade do conhecimento que já trazem de casa, além de várias “heranças”, como a postura corporal e a habilidade de falar em público. Os próprios estudantes mais pobres acabam encarando a trajetória dos bem-sucedidos como resultante de um esforço recompensado. Uma mostra dos mecanismos de perpetuação da desigualdade está no fato, facilmente verificável, de que a frustração com o fracasso escolar leva muitos alunos e suas famílias a investir menos esforços no aprendizado formal, desenhando um círculo que se auto-alimenta. Nos primeiros livros que escreveu, Bourdieu previa a possibilidade de superar essa situação se as escolas deixassem de supor a bagagem cultural que os alunos trazem de casa e partissem do zero. Mas, com o passar do tempo, o pessimismo foi crescendo na obra do sociólogo: a competição escolar passou a ser vista como incontornável.
Contribuições Principais
Ele tentou superar a dualidade tradicional entre as estruturas sociais / objetivismo e a ação social / Subjetivismo.
Procurou entender como o processo de reprodução social

Tornou-se principalmente interessados ​​por áreas artísticas e educativas, com uma forte ênfase nos aspectos simbólicos de culturas e laser.

Contribuição para o Serviço Social

Pierre Bourdieu contribuiu com o Serviço Social na conscientização dos indivíduos para romper com o sistema de dominação proposta pelo Estado, defendendo uma proposta de educação social, o autor defende a educação como meio de ruptura dos paradigmas da dominação. Se sua obra constitui uma das mais importantes contribuições à renovação da sociologia crítica, ele permite também a reflexão de múltiplos objetos das ciências humanas, sua sociologia se constrói em torno do desenvolvimento das relações de forças e dos mecanismos invisíveis que se estabelecem no corpo social. É por via da conscientização e da identificação de classe que o Serviço Social pretende alcançar a emancipação dos setores oprimidos da sociedade. Esta emancipação dá-se pelo combate à “falsa consciência” dos indivíduos e seu direcionamento para o reconhecimento dos mecanismos estruturais opressores responsáveis pela sua condição. Propõe-se a uma crítica do funcionalismo sutil das desigualdades face à Cultura. Desta situação origina sua concepção de dominação simbólica, assim, nossos questionamentos se dão no âmbito das tensões colocadas entre o universo-político e ético-político do Serviço Social enquanto uma profissão em confronto com a necessidade de exercício do poder simbólico no qual estar inserido o Serviço Social. O sociólogo procurou mostrar que as relações de força, entre os agentes sociais apresenta-se sempre na forma transfigurada de relações, no sentido a violência simbólica, outro tema central da sua obra, não era considerada por ele como um puro e simples instrumento ao serviço da classe dominante, mas como algo que se exerce também através do jogo entre os agentes sociais.

Biografia

Foi um destacado sociólogo francês do século XX. Nascido na cidade de Denguin, França, no dia primeiro de agosto de 1930, Pierre Félix Bourdieu era proveniente de uma família campesina. Ao completar seus estudos básicos, mudou-se para Paris, onde estudou na Faculdade de Letras aos 21 anos de idade. Em 1954, Pierre Bourdieu formou-se em Filosofia e iniciou sua vida profissional como professor em Moulins. Sua carreira sofreu uma interrupção em função do serviço militar obrigatório que o enviou para a Argélia. Aproveitando-se do deslocamento, assumiu o cargo de professor na Faculdade de Letras da capital do país, Argel.
De volta a Paris, Pierre Bourdieu foi assistente de Raymond Aron, importante filósofo, sociólogo e comentarista político da França na Faculdade de Letras de Paris. Foi no mesmo, 1960, que se tornou membro do Centro de Sociologia Europeia, no qual ocuparia o cargo de secretário-geral dois anos depois. Seu retorno à França marca também o início de sua volumosa produção científica. Sua publicação entre as décadas de 1960 e 1980 o caracteriza como importante sociólogo do século XX. A repercussão de suas reflexões o leva a lecionar em importantes universidades do mundo. Pierre Bourdieu destacou-se por propor uma crítica sobre a formação do sociólogo, buscando o que ficou identificado como “Sociologia da Sociologia”. Pierre Bourdieu tornou-se referência na Antropologia e na Sociologia publicando trabalhos sobre educação, cultura, literatura, arte, mídia, linguística e política. Suas reflexões dialogavam tanto com as esferas de Max Weber, como com as classes de Karl Marx. Adotando a nomenclatura de construtivismo estruturalista ou de estruturalismo construtivista, Bourdieu argumentava que há estruturas objetivas no mundo social que podem coagir a ação dos indivíduos. Todavia essas estruturas são construídas socialmente. Por outro lado, Pierre Bourdieu rejeitava a dicotomia subjetivismo/objetivismo nas ciências humanas, dizendo que as relações sociais estão numa relação dialética. Partindo do princípio anterior, destaca-se uma das questões mais importantes apresentadas no pensamento de Pierre Bourdieu: a análise de como os indivíduos incorporam a estrutura social, legitimando-a e reproduzindo-a. Seu mundo social era construído sobre três conceitos: campo, habitus e capital. O primeiro representa um espaço simbólico no qual os confrontos legitimam as representações. É o poder simbólico que classifica os símbolos de acordo com a existência ou ausência de um código de valores. O conceito de habitus discorre sobre a capacidade dos sentimentos, dos pensamentos e das ações dos indivíduos de incorporar determinada estrutura social. Já o capital representa o acúmulo de forças que o indivíduo pode alcançar no campo. Pierre Bourdieu é o autor dos subconceitos de capital social, capital cultural, capital econômico e capital simbólico. Com sua vasta produção intelectual, Pierre Bourdieu recebeu o título de Doutor honoris causa em três importantes instituições da Europa: na Universidade Livre de Berlim, em 1989, na Universidade Johann Wolfgang Goethe, em 1996, e na Universidade de Atenas, no mesmo ano. Pierre Bourdieu faleceu no dia 23 de janeiro de 2002 na cidade de Paris.

Osvaldo Teles

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