domingo, 26 de abril de 2015

Desenvolvimento Sustentável ou Sustentabilidade

Hoje se fala com cada vez maior freqüência em Desenvolvimento Sustentável ou Sustentabilidade, entendida como um novo modo de pensar e realizar a produção, de tal maneira que se assegure por tempo indeterminado o atendimento das necessidades sociais, econômicas e ambientais do homem moderno. Cresce, de acordo com isso, a percepção de que é preciso explorar racionalmente os recursos naturais, especialmente os recursos esgotáveis, com o objetivo de garantir um meio ambiente saudável para a atual geração e a satisfação das necessidades de consumo das gerações futuras. Contudo, a percepção desse problema efetivamente significa uma mudança de paradigma em relação ao modo como a Modernidade se relaciona com a natureza?
A modernidade se caracteriza por um tipo de relação com a natureza que a separa do homem e cria entre os dois um espaço de distância decisivo. De um lado está o homem, ou sujeito, e de outro está o mundo, enquanto objeto a ser estudado ou explorado. Descartes, filósofo francês do século XVII, ilustra essa tendência ao chamar o homem de “senhor da Terra”, ao passo que Bacon, pensador inglês do mesmo século, afirma que o homem deve retirar, ainda que sob tortura, os segredos da natureza.
De acordo com isso, o mundo passa a ser entendido como algo que está à disposição dos interesses humanos, perspectiva muito própria à modernidade, visto que entre os homens primitivos a relação com a natureza era não de distância, mas de complementaridade. Com efeito, para os primitivos a natureza não está simplesmente à disposição do homem, nem o homem é entendido como um outro em relação ao mundo, mas ao contrário, é ele parte da natureza e dependente dela. Assim se entende os ritos religiosos que tinham como objetivo agradar a natureza e garantir que ela, por sua vez, permitisse ao homem sucesso em sua caça, pesca ou na colheita de alimentos.
A modernidade, porém, fortaleceu e desenvolveu uma perspectiva oposta, a qual tornou o homem o senhor do mundo e o seu explorador. A ciência deu a essa tendência um caráter racional e por conseqüência mais eficiente. A Revolução Industrial, por sua vez, utilizando-se do saber produzido cientificamente, organizou os mecanismos de exploração da natureza, aumentando ainda mais o poder de transformação do mundo do homem moderno.
Vivemos hoje as conseqüências dessa tendência exploratória moderna, que transformou todo o real – inclusive o próprio homem – em objeto de pesquisa ou matéria-prima para ser manipulada. Assim é, de fato, como o homem moderno entende o meio ambiente: como um reservatório de matéria-prima à disposição do estudo científico ou da exploração industrial. De acordo com isso, como lembra Heidegger, filósofo alemão contemporâneo, não é a indústria hidroelétrica que está instalada no rio, mas é o rio que está instalado na indústria hidroelétrica, isto é, todo o relacionamento com o mundo se dá a partir da ideia de que ele deve ser explorado para atender os interesses humanos.
Ora, não se pode explorar indefinidamente os recursos naturais. As conseqüências nocivas dessa exploração percebemos hoje com mais clareza, de onde surgiu a emergência do debate sobre desenvolvimento sustentável. Contudo, ao contrário do que parece à primeira vista, esse debate parece não mudar efetivamente o paradigma que sempre caracterizou a relação com a natureza na modernidade. De fato, quando se fala hoje em preservação ou proteção ambiental a perspectiva ainda é de exploração: com efeito, devemos preservar a natureza para continuar explorando-a pelo máximo de tempo possível.
Contudo, o desafio da contemporaneidade parece estar em outra direção. O que se deve é pensar em mecanismos que nos façam produzir menos, pois o planeta não suportará a universalização do padrão de consumo dos países ricos. Isso significa, na prática, repensar a relação do homem com o meio ambiente, e deixar vir à tona um relacionamento de efetivo respeito com a natureza.
Por fim, o desenvolvimento sustentável não deveria se concretizar em uma proteção que assegure a indefinida exploração ambiental, mas em um modo de exploração que seja efetivamente racional, que não produza o supérfluo, mas garanta o atendimento das reais necessidades humanas, dentro do limite suportável pela natureza.Na minha opinião uma mudança real e objetiva só acontecerá quando o homem verdadeiramente se sentir integrado ao planeta como um todo se sentido parte dele e não vendo as coisas como um foco separado, ou seja, como se a natureza que o cerca e seus interesses fossem coisas opostas ou não tivessem ligação, enquanto isto não acontecer seja qual for o discurso nos estaremos cada vez mais perto de deixar de existir como humanidade.

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