quinta-feira, 22 de outubro de 2015

A questão das drogas e o Serviço Social


Nas últimas décadas, o Serviço Social brasileiro experimentou um processo de renovação teórica e ético-política, assumindo o compromisso com a defesa dos direitos de cidadania da classe trabalhadora, sob orientação de um projeto profissional crítico. Esse projeto profissional manifesta a visão de mundo, o ethos da categoria profissional, que reivindica a construção de uma nova ordem societária. Portanto, além da dimensão profissional, este projeto é eminentemente político.
Desde a sua gênese os (as) assistentes sociais se deparam com o enfrentamento à questão das drogas. Na cena contemporânea, esta temática passa a ser pauta relevante novamente na profissão, sobretudo, a partir do contexto dos megaeventos assumidos pelo Brasil e, consequentemente, o avanço das funções penais do Estado com estratégia prioritária de enfrentamento à questão social. Aliado a este processo, a disseminação do crack e outras drogas, principalmente nos setores populares, tem sido tema de interesse e disputa de vários setores da sociedade.
Ganham evidência propostas com claro objetivo de criminalização dos pobres e de higienização das cidades para receberem os grandes eventos. Há hoje um avanço do conservadorismo moralizador na sociedade brasileira, expresso nas recentes propostas regressivas, de cunho punitivo no campo dos comportamentos considerados impróprios e desviantes, mas com certo apoio popular, a exemplo da defesa da redução da maior idade penal e da internação compulsória.
Tais proposições são permeáveis à categoria profissional, tanto porque fazem parte das trajetórias anteriores dos sujeitos profissionais antes da formação e do exercício profissional, como se apresentam a partir das demandas institucionais que reclamam uma resposta imediata.
Temos percebido uma adesão por parte da categoria profissional ao discurso superficial e moralizador que defendem respostas fáceis e imediatas para questões extremamente complexas em tempos de barbárie, de crise do capital e acirramento das expressões da questão social como a violência, a criminalidade e a questão das drogas.
No seio da categoria profissional, nossas entidades representativas, principalmente, o Conjunto Conselho Federal de Serviço Social (Cfess) e Conselho Regional de Serviço Social (Cress) tem tido uma postura protagonista na defesa dos direitos humanos, de crítica ao proibicionismo e de denúncia dos processos de criminalização da pobreza e dos movimentos sociais.
Um dos maiores desafios postos ao Serviço Social é garantir a continuidade da direção social e política a esta profissão, que tem como tarefa principal, a luta pela garantia de direitos, tendo como horizonte estratégico a defesa de uma sociedade substantivamente justa, igual e solidária. Pátria livre, sempre!

Nenhum comentário:

Postar um comentário