quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Documento de Araxá -Contexto Histórico

O Documento de Araxá foi composto durante o I Seminário de Teorização do Serviço Social, em Minas Gerais (Araxá) de 19 a 26 de março de 1967 e posteriormente publicados pela CBISS.
Convém destacar que esse era um período bastante crítico no que se refere ao modo como as relações entre sociedade e Estado se davam, pois esse o período de início Ditadura Militar no Brasil.
·O Documento de Araxá (MG)
Esse documento foi muito importante, pois foi uma das primeiras iniciativas de teorização do Serviço Social, onde se identificou entre outras coisas, a Natureza, Objetivos, Funções, Metodologia, Vinculação entre a teoria e a prática.
Percebe-se através da leitura do documento, que o mesmo possui uma perspectiva desenvolvimentista e neotomista.
Pode-se identificar também que há uma problemática quanto à definição da identidade do Serviço Social, conformem observamos no §18 (pág. 23): “É o Serviço Social uma ciência autônoma? [...]” Seguindo com diferentes interpretações à respeito da natureza da profissão.
Utilizando-se de conceitos de Durkheim o documento prossegue em seu texto, definindo a atuação do Serviço social, que deveria intervir junto aos desajustamentos sociais e familiares, que “decorrem das estruturas sociais inadequadas”. Relata-se ainda a caracterização do Serviço Social, que possui inter-relacionamento de caráter corretivo, preventivo e promocional.
E essa atuação se daria, na intervenção da realidade, removendo as possíveis causas dos desajustamentos sociais, se antecipando à correção, com a capacitação dos indivíduos para que estes se integrem a sociedade, como meio de garantir as potencialidades, contribuindo assim, para o desenvolvimento social e histórico/ econômico.
O documento ainda articula sobre a importância da participação popular, que deveria ter consciências dos problemas sociais, para que estes pudessem contribuir dessa forma para o projeto desenvolvimentista institucionalizado pelo governo. Para tanto, o Serviço Social, deveria preparar e congregar novas metodologias.
Essa parte do documento discute o questionamento e reflexão da profissão, que em um processo de discussão e revisão crítica, quanto à teoria e metodologia da profissão, para que seja formulado um novo método que articule as lutas dos segmentos populares, proporcionando a transformação.
Quanto às funções que o Serviço Social possui competências, o documento enumera as seguintes:
Atuar no processo de criação, reformulação e adequação das políticas sociais, proporcionando o acesso da demanda que dela necessite;
Proporcionar através do Planejamento do Serviço Social, a participação popular no processo de formulação do planejamento, para que se tenham conhecimentos da realidade macro.
Promover e participar de pesquisas que avaliem as políticas que estão sendo adotadas para intervir em determinada realidade, administrando os serviços sociais;
Atuar junto ao atendimento direto através de trabalho com indivíduos ou grupos, proporcionando um método corretivo, preventivo e promocional.
Percebe-se que nesse momento, o Serviço Social, atua com as ideologias da “promoção” e do “desenvolvimentismo” em que procura encontrar novas perspectivas para uma ação profissional que seja inovadora, legitimada pela própria demanda.
Quanto à metodologia utilizada para o Serviço Social nesse momento, destacam-se dois métodos:
Serviço Social de Grupo: visa à capacitação de indivíduos de forma ao aperfeiçoamento e à potencialização.
Serviço Social de Caso: visa a integração de indivíduos à sua comunidade e assim, contribuir para o plano desenvolvimentista.
Desenvolvimento de comunidade: visa a geração de crescimento econômico e social no plano local de determinada comunidade.
O Serviço Social deveria adequar-se à realidade brasileira, planejando suas ações e construindo seus próprios modelos de intervenção.
O documento ainda discute sobre a atuação do Serviço social, em dois níveis:
Microatuação: relaciona sobre a atuação do serviço social nos serviços prestados de forma direta, onde se tem contato com o cotidiano, ou seja, com a realidade da clientela. No meu entendimento, pode ser relacionado hoje em dia com a atuação de instituições como CRAS, CREAS, etc.
Macroatuação: Diz respeito aos aspectos de planejamento e criação/articulação de políticas sociais.
O documento de Araxá perde sua hegemonia a partir da década de 70, quando os profissionais do Serviço Social percebem que não há um questionamento das estruturas sociais.

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